Bate Papo com Rafael Fanti

by - março 09, 2016

Semana passada rolou um bate-papo  super  agradável com o fotógrafo de moda Rafael Fanti. Ele nos contou um pouco de sua carreira e suas influências .




Como você descobriu que tinha um caminho a seguir como fotógrafo e quando você percebeu que era isso que você queria fazer? Des de bem novo me interessava pela fotografia como um Hobby, meu pai tinha uma câmera analógica e uma filmadora super 8 que me despertaram interesse. Enquanto no campo acadêmico e profissional me me envolvi em uma área totalmente diferente do que faço hoje em dia a fotografia estava pouco presente no meu dia a dia, era amador (no sentido literário), fazia foto de amigos e revelando em casa. Foi só em 2005 que resolvi fazer de uma antiga paixão o meu “ganha pão”, junto com um amigo montei uma sociedade e me aventurar no meio fotográfico, dessa vez como profissional. O mercado capixaba estava começando a assimilar as câmeras digitais na fotografia social e o meu início se deu por esse meio. Após comprar uma câmera digital e fotografar eventos sociais por cerca de um a dois anos fui tratar imagem em uma empresa de revelação e demais serviços fotográficos. Ao longo de 3 anos transitando pelo mercado fotográfico não me identifiquei tanto com o meio como esperava, natural que existisse uma expectativa já que era um hobby e na prática as coisas não ocorreram como o esperado, talvez isso tenha sido um pouco pesado para mim. Me perdi do ponto de vista profissional, passei uma temporada rodando a Europa sem maiores envolvimentos com o meio fotográfico, foi um ano de reflexão e assim que retornei, em 2009, logo no primeiro mês tive a oportunidade de ser assistente de fotografia do João Araújo, o fotógrafo de moda mais antigo do estado e pessoa a quem devo muito. Foi nesse momento que eu percebi que era isso que eu queria fazer e não parei mais, inclusive to só no início de todo processo.

Você se lembra do seu primeiro clique? Qual a lembrança  você tem do seu primeiro ensaio ? Saiu como você esperava? Não tenho uma recordação precisa do meu primeiro clique, seguramente não foi algo marcante a ser lembrado pela eternidade ,)… mas o que considero meu primeiro ensaio sim. Foi um especial de natal para Revista AG, fotografei no final de 2010, foi a primeira experiência aonde tive um mínimo de liberdade no processo criativo, correr atrás da forma de executar o material, montar equipe, tratamento de imagem e tudo mais que envolve o fotógrafo na fotografia de moda contemporânea. Acho que foi um bom início.

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Alguns anos atrás alguns fotógrafos guardavam a sete chaves os segredos da fotografia,era uma coisa meio misteriosa, como você vê essa mudança no meio,onde hoje todo mundo com um celular se diz fotógrafo? Acho que os segredos continuam relativamente trancados, evidentemente que com a chegada da fotografia digital a curva de aprendizagem, no que diz respeito a parte técnica que compete exclusivamente ao fotógrafo ficou bem mais curta e com isso obrigatoriamente os fotógrafos tiveram que deixar de ser personagens limitados apenas a área técnica e precisaram colocar a mão em outras parte dos processos como a criação, direção, tratamento etc. Hoje em dia, por conta da facilidade de se captar uma imagem (e mesmo a facilidade de acesso aos equipamentos) o número de profissionais no meio fotográfico cresceu bastante se comparado a alguns anos atrás mas a limitação técnica da maioria, mesmo que por vezes compensada por uma visão estética e direção muito boa, seguramente é um limitador de entrada ou continuidade no mercado da fotografia de moda.

Qual o caminho que um fotógrafo deve percorrer para chegar aonde você chegou visualmente? Acho que antes mesmo de ser fotógrafo (e isso vale para diversos outros segmentos relacionados com processos criativos) as referências que via dizia muito sobre o profissional que quer ser e naturalmente, por estar em um meio super dinâmico, as referências que vejo hoje dizem muito sobre o profissional que quero ser amanhã. Então o conselho numero um é ter referências, ver muitos filmes, ler livros etc. Outra condição importante é se envolver com pessoas interessadas, de preferências talentosas mas o mais importante é que sejam interessadas, moda exige trabalho de equipe e sozinho não se vai muito longe então se envolva com as pessoas certas.

Quando você olha para seu trabalho desde o início, tem alguma foto ou ensaio que você hoje se arrepende de ter feito? Como você acha que podemos aprender e melhorar nosso trabalho com os erros e arrependimentos? Existem alguns trabalhos que se perguntarem se fui eu quem fez eu nego, mas não existe aí um arrependimento nem necessariamente uma lição. Normalmente são trabalhos comerciais que dês de o início eu não acreditei e por algum motivo não tive força de mudar o rumo das coisas ou mesmo executar o material de forma mais digna. Já nos trabalhos aonde existem muita expectativa e o resultado sae a quem do que imaginado sim existe momentos de reflexão no sentindo de entender o que saiu de errado, o que poderia ter sido feito para melhorar etc…

Quais fotógrafos você citaria como grande inspiração para o seu trabalho? Tim Walker, Steven Meisel, Eugenio Recuenco, Steven Klein, Sharif Hamza

E quais artistas fora da fotografia te inspiram? A galera do cinema em geral são referências, particularmente me agrada bastante Quentin Tarantino 10 – Haper’s Bazaar, U + Mag, Vogue, etc…

Como você vê hoje o universo da fotografia e da moda no Brasil?  Por enquanto meu mercado sempre foi restrito ao mercado comercial do ES, nesse não consigo ver muitas alterações a curto, médio ou longo prazo e acredito que seja um espelho do mercado nacional. Em geral (evidentemente existem excessões) é um mercado aonde a maioria dos clientes (fábrica de roupas) prezam por algo que os atendam no prazo certo e sem prejudicar o processo de fabricação das roupas, não estão em busca da melhor campanha do mundo o que é um tanto frustrante para os profissionais que tem a pretenção de gerar materiais com impactos mais fortes. Com relação a talentos tem uma geração boa de fotógrafos surgindo, relativamente vanguarda se comparado com a geração da década passada mas além de poucos estão restritos ao mercado Paulista, assim que qualquer profissional com maiores ambições de ser reconhecido nacionalmente obrigatoriamente tem que estar lá.

Um bom fotógrafo consegue deixar sua assinatura na foto através da imagem? Claro, só olhar a galera que fez nome ao longo das décadas, de olhar o material se percebe a linguagem de cada um, sem se aprofundar muito nos créditos.


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